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Debate sobre cor de vestido expõe sutis diferenças nos olhos e cérebros


Matéria do Jornal Folha de S. Paulo

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Há várias explicações científicas para que as pessoas não entrem em consenso sobre uma peça de roupa ser branca e dourada ou preta e azul.

Uma delas se refere a sutis diferenças na sensibilidade às cores entre as pessoas, aponta o professor da Unifesp Paulo Augusto Mello.

"Algumas pessoas sentem mais o ardor da pimenta, outras têm uma sensibilidade tátil maior, outras ainda se incomodam de maneira peculiar com sons agudos: são pequenas variações individuais", afirma.

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Segundo o oftalmologista, a origem do problema pode estar nos cones, células da retina que conseguem captar os detalhes de uma imagem, inclusive a cor.

Todo mundo tem três diferentes tipos de cones: o R (que enxerga em vermelho), o G (verde) e o B (azul). Quem vê o vestido azul provavelmente possui cones do tipo B mais sensíveis em comparação aos demais -R e G.

"Para essa pessoa, basta um pouquinho de azul misturado ao branco para inundar a imagem com um azul profundo", explica.

O oftalmologista Renato Neves afirma que outra explicação possível é a interpretação do contexto da foto feita pelo cérebro (veja abaixo).

De acordo com a maneira que a pessoa percebe a iluminação do ambiente, é possível enxergar a mesma imagem com cores diferentes.

Isso porque o cérebro, para tentar enxergar a cor "real", desconta da imagem o que ele interpreta como iluminação ambiente. No caso da foto, é provável que tenha sido feita sob uma luz incandescente amarelada.

Só que algumas pessoas interpretam a mesma luz provavelmente como uma fonte fluorescente (branco-azulada). Daí a confusão.

Segundo os dois médicos, as pessoas que não veem o vestido nas cores corretas -preto e azul- não precisam se preocupar com relação ao daltonismo. A diferença de percepção é tênue demais e as pessoas sabem diferenciar as cores em outras circunstâncias.

"A diferença na percepção das cores do vestido nada tem a ver com o daltonismo, variação genética que faz com que os cones não distingam uma cor da outra", afirma Jorge Moll, neurocientista do Instituto D'Or de Ensino e Pesquisa.

Há ainda o fato de que a foto era mal tirada. "A imagem ficou, no jargão dos fotógrafos, lavada, esbranquiçada. Se a foto fosse boa, teria um melhor contraste, e o preto seria mais preto e o azul seria mais evidente. Aí provavelmente não haveria tanta polêmica", afirma o editor de Fotografia daFolha, Diego Padgurschi.

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