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Novidades em tecnologias e tratamentos para doenças da pele foram temas do segundo maior congresso d


Manejo de cicatrizes, novos lasers, queda de cabelo e até experiências com células tronco na dermatologia foram abordadas no evento

Quase dois mil cirurgiões dermatológicos discutiram o que há de mais atual na especialidade entre os dias 17 e 21 de abril, na Costa do Sauípe (BA). O XXVII Congresso Brasileiro de Cirurgia Dermatológica, presidido pelo Dr. Paulo Barbosa, é conhecido pelos médicos como evento que antecipa e discute várias tendências na cirurgia dermatológica. Algumas das grandes novidades apresentadas no evento dizem respeito aos procedimentos cosmiátricos faciais, terapias com células-tronco e associações de lasers para tratamento de estrias e rejuvenescimento facial.

Tecnologias

O evento contou com a presença de uma das maiores autoridades em laser do mundo: a dermatologista americana, Dra. Christine Lee. Em um café da manhã com os especialistas, ela comentou sobre suas experiências em casos que desafiam o dermatologista, como depilação a laser em peles negras e em adolescentes. “Cada tipo de pele merece um tratamento especial e até um laser especial para não queimar a pele. A boa notícia é que pessoas com pele negra que queiram remover os pelos já contam com tecnologia disponível para esse procedimento. O que continua intrigando os dermatologistas é o desejo de adolescentes quererem a depilação cada vez mais cedo. Minha indicação é conversar com os pais, pois como os adolescentes ainda estão passando por mudanças hormonais, o procedimento pode não ter o resultado esperado e eles ficarem insatisfeitos”, explica.

Ainda sobre os desafios que o cirurgião dermatologista encontra no dia a dia no consultório, os Drs. Alexandre Filippo, Emanuel França e Valéria Campos discutiram uma série de casos de pacientes com olheiras, flacidez, Nevo de Ota e gordura corporal que foram tratados com lasers e outras tecnologias.

Para o tratamento da flacidez, a tecnologia é uma grande aliada dos dermatologistas: ondas acústicas, ultrassom focado, radiofrequência, infravermelho, laser fracionado ablativo e não ablativo, drug delivery (laser ablativo para facilitar a absorção de medicamentos) e a injeção e os fios de ácido polilático são as opções mais atuais para esses casos. Com exceção da injeção de ácido polilático, todas as técnicas funcionam por meio da produção de calor e lesão nas fibras de colágeno; o que estimula a substituição e o nascimento de novas fibras de colágeno.

De acordo com a Dra. Valéria Campos, “os melhores resultados são obtidos quando o tratamento é precoce. A flacidez também pode ser prevenida, com início dos tratamentos logo após a paciente completar 30 anos”, explica. No caso apresentado no evento, a especialista tratou sua paciente com ultrassom focado de alta intensidade, pois os resultados são obtidos em sessão única e pode ser feitos em pessoas morenas, que vão tomar sol e que tenham melasma.

Dr Alexandre Filippo, dermatologista do Rio de Janeiro, falou sobre uma queixa comuns nos consultórios; as olheiras. No caso apresentado pelo especialista, ele destacou a luz intensa pulsada como boa de tratamento pois além de trata-las ainda rejuvenesce a pele. “A luz intensa pulsada é um tipo de luz que atinge vasos, pigmentos e colágeno, então quando se trata de olheiras – sejam as do tipo vascular (a mais difícil de tratar) ou pigmentar (a mais fácil) – essa tecnologia é uma potente arma no nosso arsenal dermatológico. O especialista só precisa ter cuidado com os olhos, pois pode cegar se não forem feitas as proteções intraocular”, explica Filippo.

Já o Dr. Emanuel França apresentou caso de tratamento de Nevo de Ota com luz intensa pulsada. O Nevo de Ota são manchas de nascença causadas pela presença de melanócitos (células que dão cor à pele) na derme. É caracterizado por uma mancha escura, acinzentada ou azulada na região da face, próximo ao olho. O cirurgião dermatologista escolheu a tecnologia, pois tem ótima eficácia na remoção de pigmentos.

O último caso apresentado pelos cirurgiões dermatologistas foi sobre gordura localizada. Algumas opções de tratamento com tecnologia são o laser de baixa intensidade, a Criotermolipólises, a Mesoterapia e o ultrassom de alta intensidade.

O laser de baixa intensidade é não invasivo, não produz calor e não queima a pele. Os raios lasers ativam a mitocôndria de cada célula gordurosa, que acelera a cadeia de reações químicas naturais do corpo. A gordura armazenada, na forma de triglicérides se quebra e, concomitantemente, os poros se abrem nas paredes das células de gordura, que permitem a saída da gordura localizada na forma de ácidos graxos e glicerol. Estes são transportados para o sistema linfático, que deve queimar a gordura. As células gordurosas permanecem no corpo, mas ocupam menos espaços, pois estão mais vazias.

A Criotermolipólise é uma técnica bastante eficaz na eliminação da gordura localizada. O equipamento suga a pele, diminuindo a temperatura até atingir 10 graus negativos. Com o congelamento, cristais de gordura se foram dentro das células de gordura, que ficam machucadas imediatamente. Ondas de ultrassom são aplicadas no local, para potencializar o efeito do congelamento.

Já o ultrassom de alta intensidade trata a flacidez e até gordura, caso de algumas máquinas apresentadas no congresso.

As tecnologias também foram discutidas no tratamento da hiperidrose – o excesso de suor em determinadas partes do corpo – e das peles acneicas. As micro-ondas, o ultrassom focado de alta intensidade e o ultrassom de alta frequência fracionado foram apontados como duas possibilidades para casos de suor excessivo. Para as peles com marcas de acne, a indicação foi a radiofrequência fracionada.

Toxina Botulínica

Uma das substâncias mais utilizadas pelos dermatologistas de todo o mundo, a toxina botulínica, foi tema de destaque no XXVII Congresso Brasileiro de Cirurgia Dermatológica. A cirurgiã dermatológica, Dra. Alessandra Nogueira, apresentou aos congressistas os benefícios da toxina botulínica para tratamento de cicatrizes e queloides. “Estudos comprovam que a eficácia da substância na suavização de cicatrizes foi considerada boa e muito ao por 70% dos pacientes”, conta. Tratamento de alterações na ATM (Disfunção da Articulação Temporomandibular) e do bruxismo também foram possíveis com o uso da substância, de acordo a especialista.

O Dr. Sergio Talarico Filho, coordenador do Simpósio sobre a toxina botulínica, ressaltou a habilidade dos dermatologistas brasileiros com a substância. “Frequentemente estamos em eventos internacionais que falam dos usos e possibilidades da toxina botulínica. O que é muito interessante de se ver é que o que eles tratam como novidade, nós, especialistas do Brasil, já conhecemos há vários anos”, revela.

Câncer cutâneo não melanoma

Há muitos anos, o sol é visto pelos dermatologistas como um grande vilão. Mas, atualmente, estudos já apontam para o tratamento do câncer da pele com a própria luz solar. Em casos de câncer cutâneo não melanoma (o tipo mais comum no Brasil), no lugar de expor o paciente à luz artificial – que é dolorosa e cara – o dermatologista poderia conduzir o paciente à terapia com a luz natural do dia.

O cirurgião dermatologista, Dr. Luiz Antônio Torezan, explicou como funciona o procedimento. “Para expor o paciente à luz solar, é necessário que ele aplique um filtro solar na pele e uma substância fotossensibilizante e fique no sol durante duas horas. As vantagens desse tratamento é que é mais acessível e com menos dor. No Brasil, essa substância deve estar disponível já a partir de 2016”, explica. O especialista ressaltou que o importância é a luminosidade do sol e não a radiação ultravioleta, que continua sendo agressiva para a pele.

Quem também comentou sobre o assunto foi o Dr. Vitor Reis. “A fotoproteção é uma boa opção no tratamento do campo cancerizado. Isso porque protege e causa a remodelação tecidual. A fotoproteção, depois que o paciente tem o câncer cutâneo tipo não melanoma, ajuda muito na recuperação. Já foi constatado que o tratamento previne o aparecimento de lesões que possam ressurgir”, explica o membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica.

Procedimentos Cosmiátricos Faciais

Um dos assuntos que teve apresentação de muitas novidades no Congresso foram os procedimentos cosmiátricos faciais. Algumas técnicas demonstradas no Meeting da Academia Americana de Dermatologia, que ocorreu em março em São Francisco (EUA) foram discutidas pelos especialistas.

Pacientes que queixam-se de rugas tem a opção de realizar a crioterapia para amenizá-las. O tratamento ainda não tem aprovação da Agência de Vigilância Sanitária (ANVISA), mas já é realizado na União Europeia e no Canadá. Para os especialistas, é uma opção muito promissora. Resfriando a pele a -20°C, ocorre a sua reinvervação. Mais de 90% dos pacientes afirmaram melhora nas rugas com 30 dias após o procedimento. A técnica pode ser utilizada também na região da papada e para gordura localizada.

Uma opção para o rejuvenescimento facial é a associação de radiofrequência e microagulhamento. O microagulhamento faz com que as agulhas penetrem até a derme, abrindo caminho para a radiofrequência agir mais profundamente. Pacientes da Itália, Índia, Coreia, Polônia e Turquia foram testados e os resultados foram positivos.

Uma nova radiofrequência monopolar apresentada no Meeting, consegue atuar no rejuvenescimento facial, gordura localizada e flacidez do pescoço. Os resultados foram imediatos e a duração é de mais de um ano.

Células-Tronco

As células tronco são também chamadas de célula mãe, pois são capazes de originar vários tipos celulares. Elas se originam das células embrionárias, mas também podem ser encontradas em alguns tecidos, como tecido gorduroso com o nome de célula mesenquimal ou célula tronco adulta.

O potencial de tratamento para várias doenças na área de dermatologia é enorme, porém são necessários protocolos de estudo para comprovar sua eficácia e segurança.

No Brasil a utilização das células tronco é considerada experimental pelo Conselho Federal de Medicina. No Congresso Brasileiro de Cirurgia Dermatológica foram apresentadas as principais características dessas células, seus marcadores, sua localização e seu potencial terapêutico para doenças dermatológicas. As células tronco na dermatologia já foram utilizadas para cicatrização de feridas, tratamento de queimados, tratamento de epidermólise bolhosa (doença genética grave), além de protocolos com retalhos em cirurgias de enxerto de pele e preenchimento. Há também alguns trabalhos correlacionando a célula tronco com o tratamento da calvície, muito promissor.

A cirurgiã dermatologista, Dra. Denise Steiner, comentou sobre o estudo que vem sendo desenvolvido na Universidade de Mogi das Cruzes sobre os usos das células-tronco na dermatologia. “O Serviço Credenciado de Dermatologia da Universidade de Mogi das Cruzes inicia um protocolo com a fração estromal vascular (que possui grande quantidade de células tronco mesenquimais), para observar sua ação na melhoria da produção de colágeno. Foram selecionadas 10 pacientes de 30 a 48 anos, sem doenças graves, sem reposição ou tratamentos hormonais. Houve randomização e 5 mulheres foram submetidas a lipoaspiração para retirada do tecido gorduroso. Esse tecido foi centrifugado e separado da parte vermelha. Outras cinco mulheres foram tratadas com um preenchedor que estimula o colágeno também no sulco nasogeniano e região retroauricular. Biopsias serão feitas com 30 e 90 dias para observar as diferenças e semelhanças no estímulo ao colágeno do preenchedor e da fração vascular estromal. Esse trabalho vem agregar informações importantes sobre o comportamento dessas células e o seu potencial terapêutico”, explica a especialista.

Queda de cabelos

A Dra. Dirlene Roth apresentou novidades a respeito da terapia capilar: o uso do plasma rico em plaquetas, que é o plasma com maior concentração de plaquetas que no sangue circulante pelo corpo. O material já é utilizado em vários campos da medicina e da odontologia, por conta de sua eficácia na recuperação tecidual.

Em pacientes com alopécia androgenética, a injeção de plasma melhora consideravelmente a queda de cabelos em homens e mulheres. O procedimento é de 3 sessões, uma a cada vez.

O microagulhamento também foi apresentado como opção de melhora no quadro de queda de cabelos. A técnica teve eficácia em pacientes com alopécia há mais de 30 anos. Isso porque o microagulhamento melhora o fluxo sanguíneo e estimula fatores de crescimento dos fios.

Uma das novidades mais esperadas pelos participantes do Congresso foi a demonstração do transplante capilar com auxílio de um robô. A técnica utilizada pelo robô é chamada de FUE (Follicular Unit Extraction), que consiste na retirada de fios um a um da área doadora. Esse é o modelo mais atual de transplante capilar.

Para o dermatologista israelense, Dr. Alex Ginzburg, a técnica tem várias vantagens: “não deixa cicatriz, o trauma é menor, não requer cirurgia, tem cicatrização mais rápida e causa menos dor ao paciente”, explica. O robô também pode ser usado para realizar transplante de sobrancelhas; ele retira o folículo do cabelo e insere na área do rosto.

O próximo congresso da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica ocorre em abril de 2016, no Rio de Janeiro, e será presidido pelo Doutor Alexandre Filippo.

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