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Depressão: estudo mostra que botox pode diminuir sintomas

A toxina botulínica, já consolidada pela capacidade de eliminar rugas sem bisturi e tratar problemas como a sudorese, também se comprovou ser excelente no tratamento de sintomas de ansiedade e depressão, de acordo cientistas da Califórnia



Imagens: Google Imagens


Hoje, apenas no Brasil, são mais de 300 mil pessoas recorrendo à toxina botulínica para suavizar rugas, marcas de expressão, suor excessivo e alguns problemas musculares ligados à parte neurológica. Os cientistas já sabiam que a toxina bloqueia neurotransmissores associados aos sintomas de enxaqueca, diminuindo a intensidade e até a frequência das dores. Pois bem, ao lidar com esses estudos sobre a dor de cabeça severa, foi descoberta uma nova e promissora utilidade para a substância: ela é capaz de combater a depressão, uma condição de saúde mental marcada por sentimentos contínuos de desesperança, angústia e tristeza e que, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), afeta mais de 264 milhões de pessoas em todo o mundo.


A pesquisa e seus resultados


Na pesquisa feita na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, e publicada na revista Scientific Reports, os cientistas analisaram o efeito do composto em 40 mil pessoas que receberam as injeções por oito motivos diferentes, como suor excessivo, enxaqueca, estética e problemas neurológicos.


Os dados – obtidos de uma base da FDA, a agência reguladora de medicamentos americana, que reúne relatos de efeitos adversos associados aos tratamentos – foram comparados com os de pessoas que se submeteram aos tratamentos e terapias diversas para as mesmas condições. Aquelas que receberam a substância corriam risco significativamente menor de depressão.


Segundo o estudo, a toxina tem efeito antidepressivo quando aplicada entre as sobrancelhas e por um motivo bem simples relacionado ao comportamento humano, quando as pessoas são incapazes de fazer expressões faciais de raiva há menos atividade na amígdala, uma região cerebral associada ao controle da ansiedade, pânico e à resposta para o medo. Com essa lógica, os estudiosos afirmam que se uma pessoa não pode franzir a testa, o cérebro não registra um sentimento negativo, portanto. “Quando a pessoa está com a expressão mais brava, mais triste, ela recebe um feedback negativo das pessoas com perguntas do tipo "o que aconteceu? por que você está assim? E isso vai deixando o paciente mais triste. Já quando ele faz o procedimento com a toxina botulínica, o feedback passa a ser mais positivo, e isso faz com que passem a se sentir melhor e aumentem a produção dos hormônios do prazer”, explica a especialista.


Uma outra explicação baseia-se no princípio de que emoções negativas como medo, raiva e tristeza estão relacionadas à ativação de músculos específicos da parte superior da face. "É importante lembrar que a aplicação da toxina não é totalmente temporária, como muitos acreditam. A ação do músculo sim! O que ela deixa na pele é o que a rejuvenesce. Estudos mostram uma série de benefícios no envelhecimento da pele de quem fez o uso uma única vez, o que pode corroborar para o tratamento e manutenção dos resultados positivos em longo prazo”, afirma Valéria.


As outras aplicações da toxina


Segundo a dermatologista, estudos recentes levaram a um aumento no tempo de duração dos efeitos da toxina botulínica, o que foi uma excelente notícia na dermatologia. Mas o uso da toxina fora da área dermatológica também deve ser comemorado como nos casos de estrabismo, por exemplo, por conta da ampla capacidade da toxina de reduzir o estímulo muscular. "Há ainda vasto campo de investigação a ser explorado e é preciso cuidado. Entre as possibilidades analisadas está o fato de a substância ajudar na remoção da tensão muscular do organismo, onde quer que seja aplicada – outra evidência física comum de quem tem depressão", conclui.


Sobre Dra. Valéria Campos

Dra. Valéria Campos é pós-graduada em Dermatologia e Laser, pela Harvard Medical School, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologistas (SBD) e professora convidada da Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ). É médica pela Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (UNESP) Botucatu e mestre pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).


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