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Endometriose: diagnóstico precoce para enfrentar a doença

No mês de conscientização da infertilidade, especialistas alertam para o tratamento preventivo da doença que afeta 7 milhões de mulheres no Brasil



Créditos: Pixabay



Junho é o mês de conscientização da infertilidade e uma ótima oportunidade para falar de uma doença que virou um fantasma na vida das mulheres. A Endometriose é uma das principais causas da infertilidade feminina. A doença foi descrita pela primeira vez nos anos 1850, de lá pra cá os estudos e as formas de tratamento evoluíram, mas o número de casos ainda é elevado, muitas vezes, por causa do atraso no diagnóstico e até por desconhecimento de muitas mulheres sobre os sintomas. Para a especialista em Reprodução Humana Dra. Maria do Carmo Borges de Souza, da clínica Fertipraxis, é fundamental fazer exames preventivos regulares, manter um bom estilo de vida, uma boa qualidade de cuidados alimentares e físicos para prevenir a endometriose "É sempre importante divulgar que ela (a endometriose) é uma doença que pode causar sofrimento às mulheres e afetar até a sua capacidade reprodutiva. Por isso, é preciso que todos se conscientizem que o diagnóstico precoce pode ser fundamental na luta contra a doença", afirma a médica.

O que é endometriose?

O endométrio que reveste a cavidade uterina é fininho no início do ciclo menstrual porque as células descamaram. Na medida, que o ciclo vai evoluindo, se a mulher não usa contraceptivos, ele vai espessando, quando chega no período pré-ovulatório o endométrio está pronto para receber, implantar e acolher o embrião, e se não há gestação, ele descama.

Nessa hora, em 80% das mulheres algumas dessas células, junto com o sangue, caem na cavidade abdominal ou circulam pela corrente sanguínea. O problema surge quando essas células não entendem que estavam sendo descartadas e se acumulam junto ao útero, perto da bexiga, perto do intestino, nos ovários ou até em outro lugar do corpo em que as células entendam que ali é o útero. "Quando vem um novo ciclo menstrual, essas células, que deveriam ter ido embora, proliferam e na hora que o endométrio descama, ele sangra e esse sangramento, seja microscópico ou visível, causa irritação - por estar num lugar onde não deveria estar - e dor forte na região onde essas células se concentraram", completa a Dra. Maria do Carmo.

Quais são os sintomas da endometriose?

Um dos principais sintomas que ajudam a identificar a endometriose e contribuem para o diagnóstico precoce são as cólicas menstruais muito intensas e progressivas. "Uma cólica muitas vezes incapacitante", dimensiona o Dr. Marcelo Marinho, também especialista em reprodução humana. "Há mulheres que não conseguem trabalhar, sentem náuseas, tem enjôo, vômito, dor de cabeça, não conseguem sequer se levantar e ainda ouvem pessoas em volta dizendo que é frescura o que elas estão sentindo", aponta.

Uma outra percepção importante do sintoma, segundo o médico, é quando a mulher, no período menstrual, sangra quando evacua ou ao urinar. Mas o médico alerta que a endometriose pode ser silenciosa e não apresentar qualquer sintoma. "Nesses casos, a doença só pode ser identificada em exames ginecológicos com um aumento dos ovários ou uma massa abdominal palpável", completa.

O diagnóstico por médicos de outras especialidades

De uma maneira geral, a endometriose é associada a dores no aparelho reprodutivo da mulher. Mas o que pouca gente sabe é que ela pode surgir em outras partes do corpo e os médicos de outras especialidades podem ajudar na cruzada contra a doença. "Num exame solicitado por um colega de outra especialidade clínica é possível encontrar a endometriose nos rins, no pulmão ou até dentro do olho", aponta o Dr. Roberto Antunes, também da Fertipraxis.

Como tratar a endometriose?

De acordo com o Dr. Roberto, as mulheres podem apresentar endometriose em qualquer fase da idade reprodutiva, na pré-menopausa ou até na menopausa, especialmente, naquelas mulheres que se submetem a tratamentos hormonais. A primeira medida é tratar os sintomas com o bloqueio hormonal interrompendo o ciclo menstrual. Esse bloqueio pode ser feito por meio de comprimidos, injetáveis e até pela cirurgia laparoscópica. "A cirurgia minimamente invasiva é menos agressiva, combate a dor e libera as aderências de trompa facilitando a gestação", acrescenta.

O Dr. Marcelo relata, no entanto, que nos casos mais graves da doença o tratamento cirúrgico pode levar a retirada dos ovários ou mesmo do útero. "Tudo vai depender da idade da mulher, dos objetivos e expectativas dela e o estágio em que a doença se encontra. Numa mulher jovem, no auge da sua capacidade reprodutiva, a preocupação deve ser preservar a todo custo a fertilidade. Já na mulher mais velha, normalmente já com filhos, o objetivo deve ser aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida dela", pondera.

A endometriose é um fantasma na vida das mulheres, mas saber que é uma doença que pode ser vencida com medidas preventivas e diagnóstico precoce é uma boa notícia nesse mês de conscientização da fertilidade. "Mas não se engane, a endometriose é uma patologia. A pessoa pode pensar que está curada, mas de repente voltam todos os sintomas e todo o sofrimento. Portanto, faça exames preventivos sempre", finaliza a Dra. Maria do Carmo.



Sobre Dra. Maria do Carmo Borges de Souza

Graduada em Medicina com Mestrado e Doutorado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Professora da UFRJ e Livre - Docente pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Presidente da REDLARA - Rede Latino Americana de Reprodução Assistida. É membro da American Society for Reproductive Medicine (ASRM) e da European Society of Human Reproduction and Embriology (ESHRE). Membro do Conselho Consultivo da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida - SBRA; Diretora da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Rio de Janeiro e Diretora Médica da FERTIPRAXIS Centro de Reprodução Humana.


Sobre Dr. Roberto de Azevedo Antunes

Graduado em Medicina com Especialização em Reprodução Assistida e Endoscopia Ginecológica. Mestre em Ciências da Saúde, com ênfase em Fisiologia Endócrina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. É Diretor Médico da FERTIPRAXIS Centro de Reprodução Humana, Diretor da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Rio de Janeiro e Diretor da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida- SBRA. Doutorando em Ciências da Saúde, pelo programa de Endocrinologia da UFRJ.



Sobre Dr. Marcelo Marinho de Souza

Graduado em Medicina com Mestrado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro; Diretor Médico da FERTIPRAXIS Centro de Reprodução Humana, especialista em Reprodução Humana com títulos pela Rede Latino Americana de Reprodução Humana (REDLARA) e Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). É membro da American Society for Reproductive Medicine (ASRM) e da European Society of Human Reproduction and Embriology (ESHRE).



Sobre a FERTIPRAXIS Centro de Reprodução Humana - http://www.fertipraxis.com.br

A Clínica FERTIPRAXIS é certificada pela Rede Latino-americana de Reprodução Assistida por cumprir com eficiência as normas de controle de qualidade requeridas para todos os procedimentos. As instalações modernas são equipadas com recursos de alta tecnologia para manipulação e criopreservação de gametas e embriões, garantindo segurança no manuseio das amostras biológicas. Junto à tecnologia, o acolhimento aos pacientes é objetivo primordial. Os profissionais que atuam na clínica: médicos especialistas, embriologistas, enfermeiros e psicólogos, utilizam as mais avançadas técnicas de reprodução assistida para atender, orientar e tratar da forma mais adequada as pessoas que querem engravidar.

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