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Outubro Rosa: gravidez e câncer de mama, o que fazer?

Saiba como preservar a fertilidade ao ser diagnosticada com a doença e ter que passar por tratamentos de quimioterapia ou radioterapia






O tumor na mama é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres e de acordo com dados recentes do INCA, até o final deste ano quase 70 mil terão câncer de mama no país. Entre os principais fatores de risco estão a idade, obesidade, hábitos de vida, consumo de álcool e dieta rica em gorduras e açúcares, além de histórico genético e tratamentos hormonais. Além da cirurgia, a quimioterapia muitas vezes é necessária para complementar o tratamento e dependendo do tipo de droga utilizada a fertilidade da mulher pode ser diretamente afetada, dizem os especialistas.

A Sociedade Americana de  Medicina Reprodutiva (SAMR), bem como a Sociedade Americana de Oncologia Clínica recomendam que o congelamento de óvulos é a melhor opção para quem quer engravidar e vai se submeter ao tratamento do câncer de mama.

“As terapias para cura do câncer muitas vezes acabam afetando a reserva de óvulos, o que pode impossibilitar a gravidez da mulher de forma espontânea. Com o advento do congelamento de óvulos (no caso de mulheres), espermatozoides (no caso de homens) ou o congelamento dos embriões é possível se submeter a tratamentos contra o câncer e após as sessões de quimioterapia tentar a gravidez”, ressalta a especialista em reprodução Humana da clínica Fertipraxis, Dr.ª Maria do Carmo Borges, que também é Presidente da REDELARA – Rede Latino-Americana de Reprodução Assistida.

Para o Dr. Marcelo Marinho, também especialista em Reprodução Humana da Fertipraxis, os resultados de gravidez a partir de óvulos congelados já são equivalentes aos apresentados por embriões congelados. “A utilização de embriões descongelados em tentativas subsequentes ainda é o padrão-ouro para a preservação da fertilidade em casos de câncer de acordo com algumas sociedades médicas. Entretanto, as novas técnicas de congelamento e descongelamento de óvulos já apresentam resultados similares de aproveitamento e sucesso, de modo que atualmente já se fala inclusive em definir o congelamento de óvulos como o tratamento padrão para a preservação de fertilidade em mulheres.”  O Dr. Roberto de Azevedo Antunes, diretor médico da clínica, destaca que é preciso considerar que o congelamento de óvulos evita a ocorrência de questões éticas importantes que surgem a partir do congelamento dos embriões, como por exemplo, a discussão sobre o destino de embriões caso um casal se separe, ou o que fazer com os embriões excedentes quando o casal consegue ter seu filho, entre outros.

Em última análise, o congelamento de óvulos permite que uma mulher com câncer mantenha sua autonomia reprodutiva. “O congelamento de óvulos segue como tratamento muito bem fundamentado e como recomendação por parte das sociedades europeia e americana para pacientes com baixa reserva, que não tenham pretensão de engravidar no curto prazo, diagnóstico de câncer ou risco de perder os ovários. O congelamento social também tem uma indicação bem fundamentada, principalmente, em pacientes entre 30-35 anos sem perspectivas de ter filhos” – destaca o Médico, que também é Diretor da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Rio de Janeiro e Diretor da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida.

Entenda a diferença entre congelamento de óvulos e embriões O embrião se forma quando o óvulo é fertilizado pelo espermatozoide. A técnica de congelamento consiste na utilização de substâncias químicas (crioprotetores) para proteger as células do frio e assim permitir que elas sejam conservadas congeladas.

O embrião é formado por várias células, caso algumas delas não sobreviva, ele consegue se corrigir e continuar seu desenvolvimento. A principal diferença é em relação ao descarte. Enquanto os óvulos podem ser descartados livremente, o descarte de embriões envolve questões legais e éticas.

Para se ter embrião, é necessário ter óvulos e espermatozoides. Logo os embriões são de responsabilidade do casal. Qualquer atitude quanto a eles tem de ser autorizada por ambos. Já os óvulos são propriedade exclusiva da mulher e ela decide o que fazer com eles. Outra questão importante é que a legislação brasileira impede o descarte de embriões com menos de 3 (três) anos de congelamento. “Ou seja, o casal tem que arcar com os custos de manutenção do congelamento, ou então, optar pela doação dos embriões que está prevista em lei”, finaliza o dr. Roberto.



Sobre Dra. Maria do Carmo Borges de Souza


Graduada em Medicina com Mestrado e Doutorado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Professora da UFRJ e Livre – Docente pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Presidente da REDLARA – Rede Latino Americana de Reprodução Assistida. É membro da Sociedade Européia de Reprodução Humana e Embriologia – ESHRE; Membro do Conselho Consultivo da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida – SBRA; Diretora da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Rio de Janeiro e Diretora Médica da FERTIPRAXIS Centro de Reprodução Humana.



Sobre Dr. Roberto de Azevedo Antunes


Graduado em Medicina com Especialização em Reprodução Assistida e Endoscopia Ginecológica. Mestre em Ciências da Saúde, com ênfase em Fisiologia endócrina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. É Diretor Médico da FERTIPRAXIS Centro de Reprodução Humana, Diretor da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Rio de Janeiro e Diretor da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida- SBRA.



Sobre Dr. Marcelo Marinho de Souza


Graduado em Medicina com Mestrado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro; Diretor Médico da FERTIPRAXIS Centro de Reprodução Humana, especialista em Reprodução Humana com títulos pela Rede Latino Americana de Reprodução Humana (REDLARA) e Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). É membro da American Society for Reproductive Medicine (ASRM) e da European Society of Human Reproduction and Embriology (ESHRE).



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