Parto Leboyer permite amamentação imediata do bebê

O parto é um momento crítico, sem controle, irreversível e, absolutamente mágico. O processo do nascimento é um evento perturbador para o ser que está vindo à luz. O bebê, tímido e cansado "viajante", ingressa em um mundo muito diferente da antiga realidade líquida intrauterina e começa a viver sua grande aventura. A consciência da importância desse instante para a vida de um ser humano está presente em mim há muito tempo. Em 1974, fui influenciado pelas ideias do médico francês Frederick Leboyer, defensor de um parto menos violento para o bebê. Procedimento que incluía um ambiente especialmente preparado: silêncio, pouca luz e, principalmente, o contato, logo após o nascimento, antes do primeiro banho, com o colo e o seio, nus, da mãe, para que se sentisse acolhido, aquecido e acalentado.

 

Leboyer já questionava a experiência do nascimento em seu primeiro livro, "Pour une naissance sans violence" (em edição brasileira, "Nascer Sorrindo"), ficou conhecido pelo parto Leboyer. Em contato com essa obra, e a partir de nossa convivência pessoal, comecei a me perguntar por que o parto se afastara tanto da natureza, tornando-se "medicalizado", perdendo o clima condizente com o extraordinário momento. 

 

Assim, passei a alterar radicalmente o ritual do nascimento, mesmo no caso de uma cesariana indispensável, acolhendo o recém-nascido com gestos simples, com carinho, dedicação, sem angústia e sem pressa. Fui o primeiro a adotar tais práticas no Brasil, enfrentando, na época (anos 1970), muitas críticas e preconceito. Com intensa satisfação, vejo, portanto, a disseminação das ideias de parto humanizado nos dias de hoje.

A campanha do Ministério da Saúde de 2016 na Semana de Aleitamento Materno traz o alerta "Amamentar faz bem à saúde da mãe, do bebê e também do planeta", a iniciativa tem como objetivo ressaltar a importância do aleitamento materno, bem como chamar atenção das pessoas sobre as metas de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

 

Ao longo dos anos, sempre observei deslumbrado a paz e o prazer que experimentavam os bebês, tanto ao contatar o corpo da mãe, quanto ao lamber ou sugar seus mamilos, já nos primeiros minutos de sua vida extrauterina. 

 

O colostro, líquido viscoso amarelo-dourado, é 20 vezes mais rico em anticorpos do que o soro da mãe (por exemplo, gamaglobulina) e propicia ao recém-nascido uma imunidade passiva, que durará seis meses, momento a partir do qual ele já estará apto a produzir seus próprios anticorpos. 

 

O colostro é também a única substância capaz de eliminar todos os resíduos de mecônio do trato gastrintestinal do bebê, além de prevenir o aparecimento de alergias, infecções e diarreia, pelo adequado controle e equilíbrio das bactérias que se desenvolvem no seu intestino.
No dia do parto o colostro se apresenta ainda mais rico, daí as primeiras horas de vida serem chamadas por especialistas de "golden hours". Segundo a Unicef, a amamentação na primeira hora pode evitar a morte de um número significativo de crianças em países em desenvolvimento, já que mais de um terço da mortalidade infantil ocorre durante o primeiro mês de vida (vale lembrar que ainda morrem quase 10 milhões de crianças com menos de 5 anos no mundo todos os anos).

 

Além de contribuir para salvar a vida do bebê, o aleitamento materno na primeira hora ajuda a mulher a ter leite mais rapidamente e auxilia nas contrações uterinas, diminuindo o risco de hemorragia. Para a mãe, manipular e cuidar do bebê e oferecer a pele e o seio logo após o nascimento, depois de todo o desgaste do trabalho de parto, além da intensa gratificação emocional, faz desencadear no seu organismo amplo processo fisiológico que inclui a liberação de endorfina, ocitocina e prolactina.

 

Essas substâncias promovem sensação de bem-estar, contração uterina e aumento de atividade das glândulas mamárias. As endorfinas levam à intensificação do sentimento maternal, daí serem chamadas de hormônios do amor pelo francês Michel Odent, autor de "Birth Reborn". 


A ocitocina contribui ainda para a expulsão fisiológica da placenta e para o controle do sangramento uterino, e a prolactina conduz à produção e à liberação inicial da verdadeira "vacina" que é o colostro. O leite materno é o único alimento capaz de oferecer todos os nutrientes na quantidade exata de que o bebê precisa para seu crescimento e desenvolvimento.

 

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