Mioma: um problema que acomete até 70% das mulheres em idade fértil

No Brasil, cerca de 300 mil mulheres por ano, perdem o útero como consequência da doença

 

O mioma é um tumor benigno, que acomete úteros de pacientes em qualquer idade.  São tumores que se desenvolvem na massa muscular do útero e podem estar localizados para fora ou para dentro do órgão. Quando ocupam a massa muscular uterina são chamados de intramurais; quando crescem para fora do contorno externo do órgão, subserosos  e os  que invadem a cavidade uterina, abaulando o revestimento interno, são  chamados  de submucosos.

Através de métodos de imagem (ultrassonografia,  ressonância magnética e  videohisteroscopia) conseguimos detectar com precisão a quantidade ,  dimensões e localização  dos miomas, dados indispensáveis para o planejamento do tratamento.

 

Os sintomas podem atrapalhar a rotina das mulheres e nos casos mais complexos e avançados, mesmo com tratamento medicamentoso  ainda pode ser necessária uma cirurgia. Mas, a grande parte dos miomas são assintomáticos.

 

 

Saliente-se que  só os miomas que causam  sintomas, necessitam de tratamento.

 

Apesar de ser um mal que pode  atingir de 30%  - 70% das mulheres em idade fértil, nem todos os miomas evoluem com sintomas . Só cerca de 20%- 30% das pacientes tem queixas importantes  e são estas que requerem tratamento mais intensivo . Entretanto, o acompanhamento médico das portadoras de miomas é necessário e deve ser feito regularmente pelo ginecologista.

O Brasil ainda tem um número elevado de cirurgias para retirada do útero (histerectomia).

O ginecologista e obstetra, Dr. Claudio Basbaum,  Diretor Médico da PRÓ-MATRIX , alerta que muitas dessas intervenções deveriam e poderiam ser evitadas graças a tratamentos adequados  conservadores  menos radicais.

 O útero é um órgão importante para a mulher e  culturalmente está ligado à feminilidade e à sexualidade, uma vez que a fertilidade necessita deste órgão para a procriação.  Entretanto, "desde os tempos antigos " criou-se um mito: erroneamente associou-se o desejo e o prazer sexual  à presença deste  órgão.  Com a sua remoção, algumas mulheres se sentem "frias", deprimidas, com baixa autoestima e "vazias por dentro”, embora não haja qualquer relação biológica para estes sentimentos, afirma o especialista.  É o que se chama de "Síndrome da Mulher Ôca" e se fundamenta exclusivamente nos aspectos emocionais e simbólicos que o órgão matriz representa.

Algumas vezes, o mioma é tão pequeno que só por meio da ultrassonografia ou ressonância magnética   pélvica  é possível diagnosticá-lo. Inclusive, na maioria dos casos, as mulheres descobrem que possuem o problema por acaso, em um exame de rotina ginecológico  ou quando  começam a sentir alguns  sintomas característicos provocados pelos  nódulos, tais como menstruações abundantes,  sangramentos genitais  irregulares anormais, dores, pressão dentro do abdome , etc.  . O mais comum é uma mulher ter  de  três a cinco miomas, mas não é incomum o útero sem tomado por mais de 10 miomas de tamanhos e localizações variadas ”, revela o Dr. Basbaum.  Os miomas são muito mais frequentes na mulher negra do que nas mulheres brancas , seu crescimento é mais agressivo  e os sintomas mais acentuados. Isto explica porque a incidência de cirurgias na mulher negra  que tem miomas é bem mais elevada.

O seu  desenvolvimento está ligado a uma predisposição genética que promove multiplicação acelerada e focal - uma espécie de clonagem-  das células musculares uterinas e uma maior sensibilidade das fibras musculares uterinas aos hormônios femininos – estrógeno e progesterona.

 

 

 

 

 

Sintomas:

- Cólicas menstruais intensas;

- Crescimento anormal do útero;

- Sangramento uterino anormal,   fora da menstruação;

 -Fluxo menstrual excessivo e com coágulos;

- Dor abdominal  persistente ou recorrente ; 

- Sensação de que os órgãos internos estão sendo comprimidos;

- Dor anormal nas costas e pernas;

- Anemia por sangramento uterino anormal;

- Vontade constante de urinar pela compressão do útero sobre a  bexiga ;

- Dor durante as relações sexuais.

 

Além dos sintomas, o mioma pode ter outras consequências como diminuir a fertilidade da mulher, já que muitos deles deformam inclusive a cavidade uterina, o que pode impedir o implante do  ovo ,  causar abortamento ou até mesmo  interferir mais precocemente,  desviando ou comprimindo as trompas e atuando como barreira para o encontro do espermatozoide com o óvulo.

O tratamento deve lançar mão de técnicas eficazes e seguras que  preservem o potencial reprodutivo e  garantam qualidade de vida para a mulher. O tratamento conservador varia desde o uso de medicamentos , retirada dos miomas (miomectomia), seja através da videolaparoscopia ou videohisteroscopia ( cirurgias minimamente invasivas)  ou laparotomia (abertura do ventre) ou por meio  da técnica de  embolização dos miomas .  Não obstante , a primeira opção de tratamento deve ser através de medicamentos, tais como anti-inflamatórios não hormonais ou  progestogênios que promovem  a diminuição da dor e do fluxo menstrual. 

 Outra linha de  substâncias também  utilizadas , os chamados "análogos do GnRh ",   bloqueiam a fabricação de hormônios pela hipófise – glândula situada logo abaixo do  cérebro - que estimulam a produção dos hormônios  ovarianos . Estes hormônios,  além de regularem  o ciclo menstrual   também contribuem para o crescimento dos miomas existentes.

Com a  administração destes "análogos", a função ovariana é bloqueada; criamos um estado temporário semelhante a uma "menopausa" artificial  de uns 2  a  8 meses . Assim, a  mulher para de menstruar e os miomas regridem significativamente, criando condições mais  favoráveis  para a sua  retirada por via mininvasiva,   explica o Dr. Claudio. Salientemos que este é um tratamento temporário e que se presta apenas para parar por um período as hemorragias, corrigir a anemia e "encolher" os nódulos, criando melhores condições para a cirurgia.

Cirurgias

A escolha do  tipo de técnica cirúrgica  vai depender do diagnóstico preciso das características  dos miomas.

 

 

Tratamentos conservadores

- Videolaparoscopia

- Videohisteroscopia cirúrgica

- Laparotomia

- Embolização de Miomas

 

Tratamento radical

Histerectomia

 

Videolaparoscopia

Quando localizados na intimidade da parede intrauterina (intramurais) ou  fora do útero, o ideal é o uso da videolaparoscopia.

 Neste procedimento é feito um pequeno corte de 10 milímetros no contorno do umbigo para introdução de uma óptica com  uma microcâmera para fazer a visualização em monitores de TV, de toda a cavidade abdomino- pélvica e seus órgãos . Por meio de mais 3 pequenas e discretas  punções de 5 milímetros é introduzido o instrumental  operatório , adequado para a abordagem do útero e dos miomas. Segue-se com a    retirada  de cada  mioma, através de incisões no seu entorno  que serão em seguida serão  suturadas  uma a uma.

 

Nestas cirurgias por vídeo, a eficácia é excelente, as incisões praticamente desaparecem, o pós-operatório é bem tranquilo e a a paciente costuma passar apenas um dia no hospital  podendo  retornar para a "vida normal" entre 1 e 2 semanas . 

 

Videohisteroscopia cirúrgica

Caso o/os miomas estejam dentro do útero (submucosos) é realizada a  videohisteroscopia cirúrgica. Neste caso, após dilatação do orifício do colo e do canal uterino e distensão da cavidade uterina por uma solução,  a óptica acoplada na  câmera e os instrumentos cirúrgicos necessários  são introduzidos  no útero pela vagina e  através do colo/canal  uterino prévia e  levemente dilatado. Por meio de um instrumento específico - ressectoscópio- , os miomas são fragmentados e retirados por via vaginal e as áreas eventualmente sangrantes são cauterizadas .

Laparotomia

Existe também a miomectomia por laparotomia, que é a retirada dos miomas pela técnica tradicional, abrindo a cavidade abdominal para acessar  o útero e os miomas. Neste procedimento, a recuperação é mais lenta e a paciente pode levar cerca de seis semanas para voltar às atividades normais.

Embolização 

 Nesta técnica,  baseada na radiologia intervencionista,  um cateter é introduzido numa artéria da virilha,  através de uma punção de 2 milímetros. Com as imagens transmitidas, por radioscopia com contraste,  alcança-se as artérias que alimentam o útero e os miomas. Ali são injetados pequeníssimas esferas de material sintético (agentes  embolizantes), que interrompem a passagem do fluxo sanguíneo. Sem essa irrigação, os miomas não têm como se "alimentar" e acabam como que "morrendo", fibrosando e encolhendo até mais de 50% . Mulheres que eram sintomáticas, quase imediatamente passam a ser assintomáticas. Pequenos miomas , ainda em formação também são atingidos e tem seu  crescimento interrompido. O mais interessante neste procedimento é que o útero praticamente  não é agredido e o ato, feito sob anestesia peridural ou raque e  sedação,   dura no máximo uma hora e a alta é dada em 24 horas

 

 

Os resultados da embolização são impressionantes:   após o primeiro/segundo   mês de cirurgia, 90/ 95% das mulheres se livram das cólicas menstruais e dos sangramentos anormais e excessivos. Em um ano, o tamanho do mioma e o útero diminuem em até 50-60% e não voltam mais a crescer, conclui o Dr. Claudio Basbaum que é um dos pioneiros no uso desta técnica no Brasil.

 

Histerectomia

Como tratamento radical é feita a retirada do útero- histerectomia-, cuja taxa de realização nas mulheres portadoras de miomas  ainda é exageradamente elevada em todo o mundo, alcançando índices de 60%-70% dessas cirurgias em mulheres entre  35 -54 anos.  Muitas dessas intervenções poderiam ser evitadas caso fossem  oferecidos métodos conservadores  eficientes que solucionam mais de 80% dos sintomas decorrentes da presença  dos miomas e que preservam a capacidade reprodutiva da mulher.

Foi baseado nesses princípios que o Dr. Basbaum, em 1996 criou  a campanha permanente  "Mulheres, Salvem seus Úteros!  Diga NÃO às cirurgias ginecológicas desnecessárias" , por meio da  Pró- Matrix  - Unidade de Orientação, Preservação e Tratamento da Mulher .

A Pró-Matrix se propõe a reduzir o número excessivo dessas cirurgias mutiladoras, quando desnecessárias.

 

 

 

 

Dr. Claudio Basbaum é médico, com especialização na Universidade de Paris, França.

Professor-Doutor em Ginecologia e Obstetrícia, pioneiro da laparoscopia no Brasil (1967), defensor de técnicas menos agressivas à mulher e ao bebê (como o parto de cócoras ou "Parto das Índias"),  foi introdutor no Brasil do Parto Leboyer (o "Nascimento sem Violência")  e da técnica Shantala de massagem para bebês.

Membro do Corpo Clínico do Hospital e  Maternidade São Luiz / Grupo D'Or, em São Paulo, o ginecologista tem  54 anos de profissão e defende a população feminina de cirurgias mutiladoras desnecessárias desde há 22 anos, quando criou a Pró- Matrix (Unidade de Orientação, Preservação e Tratamento da Mulher) e a campanha permanente  "Mulheres, Salvem seus Úteros!"  (www.claudiobasbaum.med.br) .

É pioneiro e introdutor no Brasil de diversas técnicas avançadas em medicina como a laparoscopia (1967),  videocirurgia, videolaparoscopia e videohisteroscopia (1988)  e a  embolização para eliminação dos miomas uterinos (2000),  procedimentos mininvasivos de máxima eficácia terapêutica e com um mínimo de trauma e rápida recuperação.

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